Olá, meu nome é Fábio Gonçalves Cavalcante. Sou paraense, músico, e moro na cidade de Belém, Capital do Estado, na Amazônia devastada.
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9 de Outubro de 2008
O Robô Criador
"O Robô Criador" é um curta-metragem que produzimos durante a oficina "Trilha sonora para áudio-visual", realizado pelo Instituto de Artes do Pará (IAP), através do Núcleo de Produção Digital do Pará, e ministrada por mim, em Agosto de 2008.
Sinopse: O filme conta a história de um bolsista charlatão (interpretado pelo ator Paulo Ricardo) que, em 1955, entrega ao IAP o "Robô Ninja Criador", como resultado da sua Bolsa de Pesquisa. Segundo o próprio bolsista, é "uma obra que faz obras". No entanto, durante a sua apresentação, um assaltante rouba a central de processamento de "dados" do robô, que é então levado para uma sala de reciclagem, a fim lhe darem outro proveito.
"O Robô Criador" foi filmado na noite de 26 de agosto de 2008, dentro das dependências do IAP, durante uma das aulas da Oficina de Trilha Sonora. Veja logo abaixo o filme. E em seguida, a ficha técnica. E se preferir, assista diretamente no YouTube.
Ficha Técnica:
Atores:
André Mardock : Robô Ninja Criador André Pereira : Carregador do robô Charles André : Carregador do robô Fábio Cavalcante : Avaliador Luciana Leal : Mulher no banheiro Lucas Escócio : Assaltante Paulo Ricardo : Bolsista
Trilha Sonora e Efeitos (Criação coletiva dos participantes da oficina "Trilha sonora para áudio-visual") :
André Márcio Mardock André Pereira Souza Charles André da Costa e Silva Emivaldo Ribeiro Feitosa Júnior Fabrício Coutinho Gaby Fábio Pereira dos Santos Leonardo Chermont Rodrigues Lucas Lourenço Escócio de Faria Paulo Ricardo Silva do Nascimento
"Cantação de rua" dos Arrastões do Pavulagem (2008)
Esse livreto que estou disponibilizando aqui no blog, em formato pdf, foi feito para os Arrastões de Junho do Arraial do Pavulagem. Ele traz 15 canções que foram ensaiadas e cantadas pelo Batalhão da Estrela nas ruas da Capital. Além disso, vem com uma ficha técnica bem detalhada do evento. A transcrição das partituras foi feita por mim, e o projeto gráfico é de Éder Oliveira e Natany Rodrigues.
O mateiral teve farta distribuição gratuita durante o período dos arrastões, mas acredito que já não se consegue mais um exemplar tão facilmente. Por isso, e por achar que contém partituras de amplo interesse, coloco ele aqui.
Cardoso canta as toadas do boi Ouro Fino para 2008
Aqui estão as toadas que Mestre Cardoso preparou este ano para as brincadeiras do seu boi Ouro Fino, de Ourém (PA). Nessas gravações, Cardoso cantou e tocou o tambor. Em algumas faixas, eu gravei a minha voz para o coro, e usei samples de instrumentos de percussão retirados do disco "Galo de campina" (2005).
Gravei essas músicas no mês de Julho, no período em que estive com Cardoso para defender com ele a música "Não sou Norte-americano" no XXV FMO (veja o vídeo da apresentação no post anterior). A última faixa é, por sinal, o áudio dessa apresentação. Baixe, ouça e curta o som do Mestre.
E se quiser baixar todas as faixas em um único arquivo zipado, clique aqui.
Quando o galo canta / O dia amanhece Urra meu boi nas campina / E a natureza se mexe
(Ei sim, Senhor) Quando eu estou cantando boi (Ei sim, Senhor) Eu entro dentro do jogo (Ei sim, Senhor) Na arte da brincadeira (Ei sim Senhor) É fogo queimando fogo
(Ei sim, Senhor) Eu nasci pra cantar boi (Ei sim, Senhor) Eu acho que tá exato (Ei sim, Senhor) No dia que eu amanheço (Ei sim, Senhor) De chinelo eu faço um sapato
(Ei sim, Senhor) Quando eu chego num terreiro (Ei sim, Senhor) Meu pensamento controla (Ei sim, Senhor) Na arte de cantar (Ei sim, Senhor) Sou eu quem boleia a bola
(Ei sim, Senhor) Ai, se eu fosse um passarinho (Ei sim, Senhor) Criasse asa e voasse (Ei sim, Senhor) Ia onde estava meu bem (Ei sim, Senhor) Quando a saudade apertasse
(Ei sim, Senhor) Mas quando eu tô cantando boi (Ei sim, Senhor) Que vem o meu pensamento (Ei sim, Senhor) Jogo toada pra fora (Ei sim, Senhor) Como estrela no firmamento
(Ei sim, Senhor) O Contrário está pensando (Ei sim, Senhor) Que eu sirvo de brincadeira (Ei sim, Senhor) Eu torço braúna velha (Ei sim, Senhor) Faço facho de arueira
Minha mãe, mamãe eu vou / Amanhã para o Iraque Meu filho tenha cuidado / Não vá passear de táxi Que os jornais de Bagdá / Anunciam os ataques
Minha mãe, quero benção / Me diga adeus, que eu já vou Meu filho tenha cuidado / Siga com nosso Senhor Mataram Saddam Hussein / E a guerra continuou
Minha mãe quero benção / Quero ouvir as vozes suas Meu filho tenha cuidado / Não vacile pelas ruas Mataram Saddam Hussein /E a guerra continua
Minha mãe, quero benção / Não sei se eu volto este ano Meu filho tenha cuidado / Pra depois não ter engano Comparar um brasileiro / Com um soldado americano
Eu cantei essa toada / Aqui para o pessoal Porque eu tenho memória / E tenho meu ideal Compositei em toada / Conforme passa o jornal
Mestre Cardoso no XXV Festival da Canção Ouremense
No dia 26 de julho, Mestre Cardoso esteve na final do XXV Festival da Canção Ouremense, com a toada "Não sou norte-americano", composta originalmente para ser cantada nas brincadeiras do boi Ouro Fino.
Ganhou o primeiro lugar na categoria "Músicas de Ourém". Ele foi acompanhado por Allan Carvalho (banjo e voz), Elaine Borges e "Ina" (Coro), Fábio Cavalcante (flauta e arranjo), e nas percussões, por André "Mixico", Bruno, Natalino "Caratinga" e Rafael Barros.
O video disponível abaixo (hospedado no YouTube) foi filmado por Arlindo Matos, que, além de ter incentivado Mestre Cardoso na inscrição, deu o título da música.
Confira a letra desta toada de Mestre Cardoso:
Não Sou Norte-Americano (Mestre Cardoso)
Minha mãe, mamãe eu vou Amanhã para o Iraque Meu filho tenha cuidado Não vá passear de táxi Que os jornais de Bagdá Anunciam os ataques
Minha mãe, quero benção Me diga adeus, que eu já vou Meu filho tenha cuidado Siga com nosso Senhor Mataram Saddam Hussein E a guerra continuou
Minha mãe quero benção Quero ouvir as vozes suas Meu filho tenha cuidado Não vacile pelas ruas Mataram Saddam Hussein E a guerra continua
Minha mãe, quero benção Não sei se eu volto este ano Meu filho tenha cuidado Pra depois não ter engano Comparar um brasileiro Com um soldado americano
Eu cantei essa toada Aqui para o pessoal Porque eu tenho memória E tenho meu ideal Compositei em toada Conforme passa o jornal
Na última sexta (6 de junho), no teatro do Centur, aconteceu o show "Verequete Chama", em benefício de Mestre Verequete, que estava internado há vários dias devido a uma pneumonia. A noite contou com a participação dos artistas Paulinho Mururé, Eduardo Dias e Alcir Guimarães, dos grupos Mandinga da Amazônia, Sabor Marajoara, Sancari e Uirapuru; além da bateria da escola de samba Embaixada da Pedreira, que em 2003 venceu concurso da Prefeitura de Belém, tocando na avenida um samba criado em homenagem ao compositor.
Confira abaixo os momentos do show que ficaram por conta do carimbó pau e corda dos grupos Sancari e Uirapuru - este último formado em 1971, e que foi o grupo que acompanhou Verequete ao longo de sua carreira. O encerramento é ao som da bateria da escola da Pedreira.
Dia 17 de maio de 2008 estive na Escola Estadual D. Helena Guilhon, no Satélite, à convite do Erivelton Araújo, pra gravar a batucada do Boi Orube, formada por crianças e adolescentes. O boi Orube é um projeto criado por moradores do bairro, interessados em montar um boi-bumbá para a quadra junina deste ano. Eles contaram com o apoio (entre outros) do Instituto Arraial do Pavulagem, que doou um boi e emprestou brinquedos; da Fundação Curro Velho, que ofereceu as oficinas de Canto (com Luizinho Lins), Percussão (Rafael Barros) e dança (Bruna); do Centro Comunitário Satélite, cedendo o espaço para as oficinas; e da Verde Móveis, que doou madeiras para a oficina de construção de instrumentos, com Mestre Ray, de Icoaraci, onde foram confeccionadas barricas, maracás, matracas, ganzás e recos. O repertório do boi Orube (que em Tupi, significa "aquele que contagia, que traz alegria") têm diversas toadas dos Mestres Cardoso e Faustino, de Ourém. Os Mestre Ouremenses já tiveram suas toadas tocadas em vários arrastões do Pavulagem (confira aqui e aqui), e é com grande prazer que eu vejo as suas criações conquistando espaço fora do município de Ourém. As músicas desses amos, cantadas pelos integrantes do Boi Orube, foram registradas originalmente nos três discos que lancei com eles em 2005 e 2006.
Nos dias 24, 25 e 26 de novembro de 2003 fui, acompanhado da Lila e dos meus amigos Arlindo Matos e Marcilene (de Ourém), à aldeia Frasqueira, dos índios Tembé, localizada no município de Santa Luzia do Pará. A festa, que dura uma semana, é um ritual de passagem que comemora a entrada das índias na adolescência, e não era realizada há vários anos. Um barracão construído num canto da aldeia era o local onde cantavam e dançavam o Caê Caê - dança tradicional daquele povo. As músicas falam dos animais da floresta, e apenas maracas são usadas para acompanhar as vozes. A dança é uma roda, que se faz aos pares em volta do centro do barracão. Algumas vezes se dançava do lado de fora, avançando de mãos dadas, formando uma longa barreira. Aqui estão quatro momentos dos Tembé cantando o Caê-Caê.
E logo abaixo, algumas fotos tiradas durante a festa.
1) Dança do Caê Caê; 2) Crianças Tembé; 3) Pintando o corpo; 4) Guaribas e mutuns moqueados.
As pinturas corporais são feitas com óleo de jenipapo, e ficam marcadas no corpo por aproximadamente duas semanas. Não adiante esfregar - não sai. Essas pinturas representam animais como o macaco, a onça e a cobra.
As guaribas e os mutuns ficam vários dias sendo moqueados. Quando estão bem secos, são então pilados e viram uma farinha. Dessa farinha é feito um bolo, que, segundo os costumes do povo Tembé, apenas os adultos podem comer. Então, as moças para as quais a festa está sendo feita, comem o bolo pela primeira vez.