Olá, meu nome é Fábio Gonçalves Cavalcante. Sou paraense, músico, e moro na cidade de Belém, Capital do Estado, na Amazônia devastada.
Seja bem-vindo ao meu blog!
[ Para baixar músicas, clique com o botão direito sobre o link e selecione "salvar destino como..." ou "salvar link como...". ]
22 de Janeiro de 2008
Mestres de Ourém e as toadas da natureza
Toadas de Mestre Cardoso (amo do boi Ouro Fino, de Ourém) e Mestre Faustino (do boi Pai-do-Campo) estão no repertório do cordão do Peixe-Boi deste ano. Ambos falam da natureza. A "Preservação da natureza", do Pai do Campo, já vem sendo cantada pelo batalhão do Pavulagem desde junho do ano passado (leia aqui). E "Cadê a floresta?" foi feita por Cardoso especialmente pro arrastão do próximo domingo.
Mamãe, cadê a floresta? Nossas vertentes, beleza Os peixes da piracema Não tem mais essa riqueza
Meu filho, o rio Guamá Criou pai, filho e bisnetos Agora só tem o resto Do verde da Natureza
Mamãe, cadê a floresta? O que é que o pássaro come Meu filho, é assim mesmo Do passado fico o nome
Meu filho, o rio Guamá Desmataram as cabeceiras Não tem mais as cachoeiras E quem faz isso é o homem
Este vídeo foi feito durante a apresentação de Cardoso e Faustino na I FEMAE (Feira de Música e Arte Estudantil), promovido pelo Colégio Pe. Ângelo Moretti, dia 29/12/2007, em Ourém. Os mestres são acompanhados por: Allan Carvalho (violão), Edgar junior (percussão), Fábio Cavalcante (flauta), Nazareno Silva (percussão) e Rubens Stanislaw (contrabaixo). O ensaio com Cardoso que aparece no começo foi feito no sítio de Arlindo Matos.
Aproveitando o tema das toadas lançadas pelos mestres, aqui estão imagens de trechos do Guamá onde fazendeiros mandaram derrubar toda a mata ciliar.
Retirada das matas ciliares do rio Guamá (Ourém, PA)
E repare nas imagens a seguir: 1) Trecho do rio com uma margem preservada e outra destruída; 2) Assoreamento - as margens, sem as árvores para servir de apoio, vão caindo no rio e formando ilhas, secando e tornando a navegação impraticável; 3) Assoreamento em frente à cidade de Ourém - a linha preta traçada na foto marca o local onde ficava a margem original. Hoje, no período seco, é possível, na frente da cidade, atravessar o Guamá à pé!
1) margens diferentes; 2) rio secando; 3) assoreamento na frente de Ourém
Segundo os últimos estudos feitos no município, 47% da mata ciliar do rio já foi perdida, reduzindo em até 37% as espécies de peixes nas áreas mais agredidas. A situação continua, lamentavelmente, crescendo sem nenhum controle.
Que pena!! O mais triste é ter a certeza que a situação só vai piorar...
# postado por Lila Bemerguy : 23 de Janeiro de 2008 08:58
Olá Fábio estava pesquisando sobre o lundo e conheci o seu trabalho... estou gostando bastante. Parabéns.
# postado por marianadias : 21 de Fevereiro de 2008 23:51
ops... lundu.
# postado por marianadias : 21 de Fevereiro de 2008 23:52
Obrigado, Mariana! Tenho esse lundu aqui também. Gravei ele em 99 e é exageradamente eletrônico. O tema é de um instrumental tradicional no Pará. Abraços!