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9 de novembro de 2009

Familiares reconhecem Mestre Cardoso no Blog FGC

Olha que história bacana eu soube hoje! Quase 60 anos depois de ir embora da casa dos pais sem despedir-se, Mestre Cardoso entra em contato novamente com seus familiares, e o contato surgiu depois que ele foi reconhecido pela Solange, neta de sua irmã, num post aqui do blog. :) Segudo o meu amigo Arlindo Matos, de Ourém, "ela [a Solange] me disse que a avó falou de um problema que o Cardoso teve no ouvido quando criança. Ela identificou essa alteração na orelha dele através de fotos do teu blog (...)  Essas senhas foram lhe dando a certeza que era ele mesmo".


Cardoso aos 20 anos (imagem enviada pela Solange).

Quando ainda morava em Ourém, algumas vezes eu pedi pro Mestre me contar sua história, e principalmente, sobre a viagem que ele fez do Piauí pra cá (Clique aqui para ouvir um depoimento dele sobre isso). Ele falava também dos vários irmãos e da falta de informações sobre eles - sabia apenas que tinha familiares em Brasília, e quase nada mais. Pois no sábado passado, através do telefone do Arlindo, o Cardoso falou com sua irmã Joana e outros familiares que moram na Capital Federal.

Fiquei sabendo um pouco mais da história da família do Cardoso: Dos dez irmãos, seis já faleceram, sendo o Cardoso (com 76 anos) o único homem ainda vivo. Duas irmãs (Joana, de 96 anos; e Neide, 94) moram em Brasília; e outra irmã, Alice, a mais nova, na Argentina. E dando continuidade à brincadeira do boi na família, o Pedrinho, filho da Solange, tem lá em Brasília o seu boi também!



Há exatos 3 anos (em 9 de novembro de 2006), o Cardoso cantou pra mim uma música chamada "Eu recebi notícia de um irmão meu de Brasília". Ele disse em uma entrevista no programa Sala de Reboco (que eu apresentava na Rádio Tembés de Ourém), que a música tratava duma carta que ele havia recebido de um irmão. Ouça o trecho da entrevista aqui, e curta a música clicando no título logo abaixo.

Eu recebi notícia de um irmão meu de Brasília

Eu recebi notícia / dum irmão meu de Brasília
Há muito tempo / viajo com sua família

Ele mandou uma carta / não mandou fotografia
Pra relembrar o passado / do tempo que nós se via

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24 de janeiro de 2009

OSTP e Mestre Cardoso no Teatro da Paz

Aqui está o show que a Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz fez em homenagem ao Mestre Cardoso, nos dias 23 e 24 de outubro de 2008. A idéia original foi do maestro Mateus Araujo, regente da OSTP, que conheceu o trabalho do Cardoso através do disco Galo de Campina, produzido por mim em 2005. Inspirado nas músicas do amo de boi de Ourém, Mateus Araujo compôs a "Suíte Brasileira", cujo último movimento tem como tema a melodia da toada "A Prisão de Saddam Hussein". Vale lembrar que essa toada, por sua vez, é baseada na melodia da música "Vem Morena", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. O próprio Cardoso reconhece a apropriação, e ele chama esse processo de "cobrir a música".
A peça "Conto ao redor do fogo - de como Cardoso veio à pé de Parnaíba e de como Ele conseguiu encontrá-lo" é do compositor Valério Fiel da Costa, e foi inspirada na história do percurso feito à pé por Cardoso da sua terra natal até o Estado do Pará, atravessando os sertões e as matas ainda virgens da Amazônia. A peça utiliza sons gravados na parte final, que foram projetados do palco e do teto do teatro. Também na parte final, as luzes do teatro são apagadas lentamente, e os sons acontecem na escuridão.
"Mestre Cardoso Direto" é um pout-pourri de toadas do Cardoso, feito por mim especialmente para esta noite.
A show ainda contou com a participação do próprio Mestre Cardoso, que veio com alguns integrantes do seu boi Ouro Fino e músicos de Ourém: Tarugo, Ina, Caratinga e Guru. Eles cantaram músicas do brinquedo, e se despediram com a toada "Adeus, morena", acompanhados pela OSTP, com arranjo de Mateus Araujo.

Ouça e curta as músicas do show. E para baixar o show completo em um único arquivo, clique aqui (arquivo zip - 36 MB).
  1. Suíte Brasileira (Mateus Araujo) - 1° movimento : Allegro
  2. 2° mov. - Andante
  3. 3° mov. - Com moto
  4. 4° mov. - Allegro
  5. Conto ao redor do fogo: De como Cardoso veio à pé de Parnaíba e como Ele conseguiu encontrá-lo (Valério Fiel da Costa)
  6. Mestre Cardoso Direto (Fábio Cavalcante)
  7. Adeus, morena (Mestre Cardoso)
Logo abaixo está a partitura da minha peça e as instruções da do Valério. Quem tiver interesse na partitura do "Conto ao redor do fogo", pode entrar em contato com o próprio compositor nesta página do myspace.

Mestre Cardoso Direto - (partitura em formato pdf)
Conto ao redor do fogo - (capa e instruções)

As imagens a seguir foram tiradas por Arlindo Matos, Diretor da Rádio Tembés de Ourém, e que nos deu grande apoio pra realização do espetáculo.



1) Aplausos; 2) Mateus, Cardoso e Arlindo; 3) Público

Confira o programa do evento, com o repertório, os nomes dos integrantes da orquestra, e uma breve biografia da OSTP, do regente e do Cardoso. O desenho da capa foi feito por Luciana Leal.

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11 de agosto de 2008

Cardoso canta as toadas do boi Ouro Fino para 2008

Aqui estão as toadas que Mestre Cardoso preparou este ano para as brincadeiras do seu boi Ouro Fino, de Ourém (PA). Nessas gravações, Cardoso cantou e tocou o tambor. Em algumas faixas, eu gravei a minha voz para o coro, e usei samples de instrumentos de percussão retirados do disco "Galo de campina" (2005).

Gravei essas músicas no mês de Julho, no período em que estive com Cardoso para defender com ele a música "Não sou Norte-americano" no XXV FMO (veja o vídeo da apresentação no post anterior). A última faixa é, por sinal, o áudio dessa apresentação.
Ouça e curta o som do Mestre. E se quiser baixar todas as faixas em um único arquivo zipado, clique aqui.
A Terra é um planeta / Redonda igual uma bola
Chama-se Globo Terrestre / E gira 24 horas

Mas quando Deus fez o mundo / Homem, mulher e menina
Fez o sol e fez a lua / Que nossa Terra ilumina

Quando eu aprendi a escrever / A letra era um caracol
Mas estudei geografia / A luz da lua vem do sol

Quando eu estou cantando boi / Minhas palavras tão macia
Eu perguntava ao contrário / O que é geografia?

Quando eu estou cantando / Estremece até a serra
Geografia é a descrição / Da superfície da terra

Este mundo é uma mola / Ele mesmo leva e ele mesmo traz
Por causa de teu orgulho / Agora eu não te quero mais

Este mundo é uma mola / Ele vai e ele vem
Por causa de teu orgulho / Agora eu não te quero bem

Esse mundo é uma mola / Jogando pra todo lado
Por causa de teu orgulho / Eu fiquei abandonado

Esse mundo é uma mola / É igual uma balança
Por causa de teu orgulho / Eu me esqueci da tua lembrança

A morena chamou por telefone / Dando o endereço dela
Minha casa é aquela da esquina / E tem um jarro com flores na janela

A morena chamou por telefone / Eu fiz o atendimento
Minha casa é aquela da esquina / É aquele apartamento

A morena chamou por telefone / Ela dizendo assim
Minha casa é aquela da esquina / Na frente tem um jardim

A morena chamou por telefone / Dizendo eu ligo mais
tarde Porque eu sou a Princesa / O meu pai é majestade

Quando o galo canta / O dia amanhece
Urra meu boi nas campina / E a natureza se mexe

(Ei sim, Senhor) Quando eu estou cantando boi
(Ei sim, Senhor) Eu entro dentro do jogo
(Ei sim, Senhor) Na arte da brincadeira
(Ei sim Senhor) É fogo queimando fogo

(Ei sim, Senhor) Eu nasci pra cantar boi
(Ei sim, Senhor) Eu acho que tá exato
(Ei sim, Senhor) No dia que eu amanheço
(Ei sim, Senhor) De chinelo eu faço um sapato

(Ei sim, Senhor) Quando eu chego num terreiro
(Ei sim, Senhor) Meu pensamento controla
(Ei sim, Senhor) Na arte de cantar
(Ei sim, Senhor) Sou eu quem boleia a bola

(Ei sim, Senhor) Ai, se eu fosse um passarinho
(Ei sim, Senhor) Criasse asa e voasse
(Ei sim, Senhor) Ia onde estava meu bem
(Ei sim, Senhor) Quando a saudade apertasse

(Ei sim, Senhor) Mas quando eu tô cantando boi
(Ei sim, Senhor) Que vem o meu pensamento
(Ei sim, Senhor) Jogo toada pra fora
(Ei sim, Senhor) Como estrela no firmamento

(Ei sim, Senhor) O Contrário está pensando
(Ei sim, Senhor) Que eu sirvo de brincadeira
(Ei sim, Senhor) Eu torço braúna velha
(Ei sim, Senhor) Faço facho de arueira

Minha mãe, mamãe eu vou / Amanhã para o Iraque
Meu filho tenha cuidado / Não vá passear de táxi
Que os jornais de Bagdá / Anunciam os ataques

Minha mãe, quero benção / Me diga adeus, que eu já vou
Meu filho tenha cuidado / Siga com nosso Senhor
Mataram Saddam Hussein / E a guerra continuou

Minha mãe quero benção / Quero ouvir as vozes suas
Meu filho tenha cuidado / Não vacile pelas ruas
Mataram Saddam Hussein /E a guerra continua

Minha mãe, quero benção / Não sei se eu volto este ano
Meu filho tenha cuidado / Pra depois não ter engano
Comparar um brasileiro / Com um soldado americano

Eu cantei essa toada / Aqui para o pessoal
Porque eu tenho memória / E tenho meu ideal
Compositei em toada / Conforme passa o jornal

Mas esse ano eu botei boi / Nas praias de São José
Eu chego botando banca / Só se faz o que eu quiser

O que eu mandar fazer, tu faz / O que eu mandar dizer, tu diz
Eu mandar cair, tu cai / Não vai quebrar teu nariz

No ano que eu boto boi / Mas fica tudo diferente
As águas corre pra cima / Água fria fica quente

Mandei dizer pra contrário / Eu formei meu batalhão
Contrário vai morrer de raiva / Pressão alta e coração

Sou eu guerreiro, mas não sou de guerra
Bate na caixa para ver quem é
Eu vou chegando com meu ouro fino, ei, morena
Respeitando homens e mulher

Sou eu guerreiro que cheguei brincando
O Ouro Fino chegou no terreiro
O Ouro Fino que chegou brincando, ei, morena
Com o batalhão brasileiro

Cheguei agora foi no microfone
O Ouro Fino chegou pra brincar
Eu mandei dizer para contrário, ei, morena
No terreiro não pode entrar

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31 de julho de 2008

Mestre Cardoso no XXV Festival da Canção Ouremense

No dia 26 de julho, Mestre Cardoso esteve na final do XXV Festival da Canção Ouremense, com a toada "Não sou norte-americano", composta originalmente para ser cantada nas brincadeiras do boi Ouro Fino.

Ganhou o primeiro lugar na categoria "Músicas de Ourém". Ele foi acompanhado por Allan Carvalho (banjo e voz), Elaine Borges e "Ina" (Coro), Fábio Cavalcante (flauta e arranjo), e nas percussões, por André "Mixico", Bruno, Natalino "Caratinga" e Rafael Barros.

O video disponível abaixo (hospedado no YouTube) foi filmado por Arlindo Matos, que, além de ter incentivado Mestre Cardoso na inscrição, deu o título da música.



Confira a letra desta toada de Mestre Cardoso:

Não Sou Norte-Americano
(Mestre Cardoso)

Minha mãe, mamãe eu vou
Amanhã para o Iraque
Meu filho tenha cuidado
Não vá passear de táxi
Que os jornais de Bagdá
Anunciam os ataques

Minha mãe, quero benção
Me diga adeus, que eu já vou
Meu filho tenha cuidado
Siga com nosso Senhor
Mataram Saddam Hussein
E a guerra continuou

Minha mãe quero benção
Quero ouvir as vozes suas
Meu filho tenha cuidado
Não vacile pelas ruas
Mataram Saddam Hussein
E a guerra continua

Minha mãe, quero benção
Não sei se eu volto este ano
Meu filho tenha cuidado
Pra depois não ter engano
Comparar um brasileiro
Com um soldado americano

Eu cantei essa toada
Aqui para o pessoal
Porque eu tenho memória
E tenho meu ideal
Compositei em toada
Conforme passa o jornal

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27 de fevereiro de 2008

Bois de Ourém Vol.1 (2006)

A coleção Bois de Ourém foi lançada em julho de 2006, em Belém, durante o tradicional Arrastão do Pavulagem. Na época eu apresentava aos sábados o programa "Sala de reboco", na rádio Tembés, de Ourém, onde os amos dos bois haviam participado diversas vezes, e gravado algumas centenas de músicas. Empolgado com a beleza daquelas toadas, que são criadas aos montes por lá, fiz uma seleção de seis músicas de cada um dos quatro grupos do lugar, para produzir os dois discos. O "Bois de Ourém Vol. 1" é com os bois "Flor-do-Campo" (de Mestre Julião - da comunidade do Mocambo) e "Ouro Fino" (de Mestre Cardoso). O Volume 2 traz os bois "Pai-do-Campo" (Mestre Faustino) e "Geringonça" (Mestre Tuíte).

a) Julião em Belém e b) Cardoso gravando

O encarte do disco "Bois de Ourém Vol.1" vinha com uma breve história dos bois, dos amos, e a ficha técnica que reproduzo abaixo:
"
Flor-do-Campo
O mais antigo boi de Ourém em atividade é o do Mocambo – localidade quilombola próxima à sede do município. O fundador da brincadeira foi Sebastião dos Santos “Bofiá”, falecido em 1961. Em 64, Julião dos Santos, filho do Bofiá, assumiu o brinquedo e até hoje mantém a tradição. O boi foi vencedor de diversos concursos de Boi-Bumbá realizados na região. O grupo comandado por Julião teve várias denominações, como “Ás de ouro”, “Flor da mocidade”, “Flor da fazenda”, “Mimo dourado” e “Mimo do gado”. O nome “Flor-do-Campo” está registrado há quatro anos.

Ouro Fino
O Ouro Fino surgiu em Ourém, no bairro do Porão, no ano de 1993, junto com a chegada à cidade de seu comandante José Ribamar Cardoso. Nascido na Parnaíba, Piauí, Mestre Cardoso foi amo de boi pela primeira vez, ainda na sua terra natal, aos 14 anos, com o "Dominante". São quase seis décadas colocando o boi pra brincar. Em 2005, Mestre Cardoso gravou seu primeiro disco - "Galo de campina".

Músicos do Flor-do-Campo
Tambores: Luís Carlos Rodrigues "Rato", Zé Ferreira, Zé Francisco, João Batista "Bulica" e Simião.
Pandeiro e voz: Julião dos Santos.
Maracás: Zé Francisco, José Walter dos Santos "Waltinho" e Luís Carlos Rodrigues "Rato"
Triângulo: Fabinho
Onça: Walter dos Santos "Waltinho"
Coro: Zé Francisco, Luìs Carlos Rodrigues "Rato", Zé Ferreira e João Batista "Bulica".


Músicos do Ouro Fino
Elielson "Dodô" Medeiros Conceição: Atabaque, Pandeiro, triângulo e Coro.
Elailson ""tarugo" Medeiros Conceição: Tambor e Coro.
Evanilson "Bran" Medeiros Conceição: Tambor e Coro.
Edenilce "Ina" Medeiros Conceição: Coro.
Elza Nira Medeiros Conceição: Coro.
José Cardoso: Voz e onça.


Produção, gravação e texto: Fábio Cavalcante.
"


Você ouve as músicas do disco "Bois de Ourém Vol. 1" a partir dos links abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip - 43,9 MB). E para baixar as letras das toadas, aqui.

Boi Flor-do-Campo
01. Reunida (3:09)
02. Lá vai (4:10)
03. Eu já cheguei, cantei (2:51)
04. Alevantou, já alevantou (2:26)
05. Chega, Contrário (2:21)
06. Adeus Doninha (1:54


Boi Ouro Fino
07. Dona da casa (2:30)
08. Ouvi sereia cantar (3:03)
09. Contrário, guarda tua coragem (2:28)
10. Sereno não me molhou (2:42)
11. Da roseira nasce a rosa (2:28)
12. À meia-noite a lua saiu (1:53)

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22 de janeiro de 2008

Mestres de Ourém e as toadas da natureza

Toadas de Mestre Cardoso (amo do boi Ouro Fino, de Ourém) e Mestre Faustino (do boi Pai-do-Campo) estão no repertório do cordão do Peixe-Boi deste ano. Ambos falam da natureza. A "Preservação da natureza", do Pai do Campo, já vem sendo cantada pelo batalhão do Pavulagem desde junho do ano passado (leia aqui). E "Cadê a floresta?" foi feita por Cardoso especialmente pro arrastão do próximo domingo.


Cardoso e Faustino ao vivo

Cadê a floresta?
(Mestre Cardoso)

Mamãe, cadê a floresta?
Nossas vertentes, beleza
Os peixes da piracema
Não tem mais essa riqueza

Meu filho, o rio Guamá
Criou pai, filho e bisnetos
Agora só tem o resto
Do verde da Natureza

Mamãe, cadê a floresta?
O que é que o pássaro come
Meu filho, é assim mesmo
Do passado fico o nome

Meu filho, o rio Guamá
Desmataram as cabeceiras
Não tem mais as cachoeiras
E quem faz isso é o homem

Este vídeo foi feito durante a apresentação de Cardoso e Faustino na I FEMAE (Feira de Música e Arte Estudantil), promovido pelo Colégio Pe. Ângelo Moretti, dia 29/12/2007, em Ourém. Os mestres são acompanhados por: Allan Carvalho (violão), Edgar Júnior (percussão), Fábio Cavalcante (flauta), Nazareno Silva (percussão) e Rubens Stanislaw (contrabaixo).
O ensaio com Cardoso que aparece no começo foi feito no sítio de Arlindo Matos.

Aproveitando o tema das toadas lançadas pelos mestres, aqui estão imagens de trechos do Guamá onde fazendeiros mandaram derrubar toda a mata ciliar.


Retirada das matas ciliares do rio Guamá (Ourém, PA)

E repare nas imagens a seguir:
1) Trecho do rio com uma margem preservada e outra destruída;
2) Assoreamento - as margens, sem as árvores para servir de apoio, vão caindo no rio e formando ilhas, secando e tornando a navegação impraticável;
3) Assoreamento em frente à cidade de Ourém - a linha preta traçada na foto marca o local onde ficava a margem original. Hoje, no período seco, é possível, na frente da cidade, atravessar o Guamá à pé!


1) margens diferentes; 2) rio secando; 3) assoreamento na frente de Ourém

Segundo os últimos estudos feitos no município, 47% da mata ciliar do rio já foi perdida, reduzindo em até 37% as espécies de peixes nas áreas mais agredidas. A situação continua, lamentavelmente, crescendo sem nenhum controle.

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15 de janeiro de 2008

Mestre Cardoso - Galo de Campina (2005)


O Galo de Campina, do Mestre Cardoso, foi produzido, arranjado e gravado por mim em outubro de 2005, na cidade de Ourém, onde eu morava na época. Ele mostra o talento e a versatilidade do amo do Boi "Ouro Fino", que aos 71 anos, mandava quente nos xotes, marchas, carimbós, sambas e toadas do seu primeiro disco. Lançado em Ourém (29/10/2005) e em Belém (04/11/2005), dele foram feitas 80 cópias, totalmente caseiras, com capas e encartes de papel reciclado, e cd's gravados no computador.



Escrevi essa breve biografia do Cardoso para o encarte.
"José Ribamar Cardoso nasceu na Parnaíba, Piauí, em 4 de janeiro de 1933, filho de João Cândido Cardoso e Maria Francisca Cardoso. Aos dez anos começou a brincar em bois tradicionais da região, entre eles os de Martiliano, Chico Camilo, Antônio Leal e José Calebre. Com o parceiro e amigo de escola Geraldo Magela do Carmo, montou aos 14 anos o Boi Dominante. O ano era 1947.
Com 20 anos vai para Coroatá, no Maranhão, onde conhece sua esposa Raimunda Lima da Silva. Com ela teve 14 filhos, dos quais seis sobreviveram. Em 1954, com 21 anos, muda-se para Carutapera. Logo depois chega no Pará, morando em Viseu, Bragança e Capitão Poço, até vir para Ourém em 1993, onde está até hoje. E até hoje, como faz há quase seis décadas, Cardoso coloca o boi para brincar todos os anos.
Trabalhou como agricultor e vaqueiro nas diversas regiões onde morou. Atualmente é amo do boi Ouro Fino. Das faixas deste CD, 'Eu mandei fazer uma rosa', 'O Ataque de Nova York', 'A prisão de Saddam Hussein', 'Mandei fazer uma trincheira ontem ' e 'Adeus morena', são toadas cantadas pelos integrantes do seu brinquedo."

Os músicos que participaram das gravações são: Aristides Borges (cavaquinho); João "Cego" da Silva Matos (sanfona e coro); Raimundo "Tuíca" da Silva Matos (barrica, pandeiro e coro); Fábio Cavalcante (flauta e coro); Lila Bemerguy (coro) e Mestre Cardoso (maracá, pandeiro, onça e voz).


1) Aristides; 2) João Cego e 3) Tuíca.

Você pode ouvir as músicas do disco Galo de Campina a partir dos links abaixo. Para baixar o disco completo, clique aqui (arquivo zip - 72,2 MB).
1. As origens de Ourém (5:38)
2. Galo de campina (3:10)
3. Sereia (2:27)
4. Baiana (2:18)
5. Mandamento da cachaça (4:24)
6. Eu mandei fazer uma rosa (2:51)
7. Ataque de Nova York (3:10)
8. A prisão de Saddam Hussein (2:45)
9. Baralho (8:13)
10. Mandei fazer uma trincheira ontem (2:50)
11. Marcha do Clube do Remo (2:04)
12. Marcha do Paysandu (2:16)
13. O namoro de hoje em dia (2:54)
14. Adeus morena (5:16)

Sobre o lançamento do Galo de Campina, recolhi esses recortes de jornais.

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11 de outubro de 2007

Estrela Dalva - Mestre Cardoso e os Bois de Ourém no Círio 2007


A toada Estrela Dalva, de Mestre Cardoso, amo do boi Ouro Fino de Ourém, está no repertório do arrastão que o Arraial do Pavulagem realiza esse sábado de manhã, logo após a chegada da imagem da santa na escadinha do cais do porto. Mestre Cardoso vem à capital junto com outros amos daquele município, e vão mostrar a sua brincadeira na praça dos estivadores, antes da saída do arrastão. E na chegada, na praça do Carmo, Cardoso deve cantar junto com a batalhão a sua toada Estrela Dalva, que foi composta esse ano para o arrastão de Ourém, realizado em maio.

Os bois de Ourém têm vindo regularmente aos arrastões do Pavulgem. Em junho deste ano, participaram Mestre Faustino e Tuíte, e o seus bois Pai-do-Campo e Geringonça; e quanto ao Cardoso, essa é a terceira vez que ele vem.

Este vídeo é uma montagem com duas gravações: a primeira foi feita na casa do Mestre, em Ourém, dia 14 de junho; e a segunda, durante o ensaio do dia 10 de outubro, no Centur, quando Cardoso veio à Belém para ensaiar com o batalhão. A letra da toada é a seguinte:

Estrela Dalva
(Mestre Cardoso)

Eu vi a Estrela Dalva / Que brilhou na primavera
Ela vive em um jarro / Aonde tem flores belas
E entre todas as estrelas / Não tem uma igual a ela

Eu vi a Estrela Dalva / Que brilhou no oceano
Tava na beira da praia / O vento forte soprando
E entre todas as estrelas / Ela é a maior do ano

Hoje eu fui convidado / Pra fazer essa viagem
Convidei meu batalhão / Pra fazer essa montagem
Homenagem ao Malhadinho / E ao Arraial do Pavulagem

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19 de junho de 2007

Pavulagem 2007 - Da Roseira Nasce a Rosa



O Boi Pavulagem completou 20 anos domingo, 10 de junho. Muita onda no aniversário! Arrastão pelas ruas, show com a praça lotada (falam em aproximadamente 10 mil pessoas!), apresentação à noite no Gasômetro, com dezenas de batuqueiros, dançarinos e sopros invadindo o teatro no final, carregando até um bolo com vela de 20 anos!!

Tenho gravado os arrastões do Pavulagem (peixe-boi, quadra junina e círio) há vários anos, primeiro devido à importância que dou ao brinquedo, que pelo tamanho que tomou, pela organização, pelas toadas lindas; é único na cidade; e depois porque gosto pra caralho daquela farra. Caminhar ao lado do batalhão sentindo o baque dos tambores; ver as cores - dos chapéus, do couro dos bois, das bandeiras, fitas; enfim, pra mim essa é uma das vantagens que Belém ainda tem (e que as tem cada vez menos!).

Este ano tive a oportunidade de estar mais perto da brincadeira, graças a um convite do Ronaldo Silva pra comandar, junto com o Allan PC, os ensaios de canto do batalhão. Um mês de ensaio (maio), e agora um mês de arrastões pela frente. Aproveitei e fiz registros de vários momentos, que vou postando aos poucos aqui no blog.

Este vídeo mostra o batalhão ao som da música "Da Roseira Nasce a Rosa", de Mestre Cardoso, amo do Boi Ouro Fino, da cidade de Ourém (PA), e que entrou no repertório do arrastão esse ano. A letra diz:

"Da roseira nasce a rosa / Do amor nasce a amizade
Quem se ama não esquece / Quem se lembra tem saudade

Da roseira nasce a rosa / E dela nasce o perfume
Mas o amor é feliz / Quando ele não tem ciúme

O amor é uma semente / Ele vem do coração
Aonde tem o ciúme / Só dá muita confusão"

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